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"So are you to my thoughts as food to life..."
November 07

O Samuel na escolinha!

O Samuel, cheio de estilo, com a sua bata e panamá da escola!

Continuamos em processo de adaptação à nova escolinha, mas já temos sinais muito positivos!

Hoje quando o fomos buscar à hora de almoço já não correu para nós como se o viessemos salvar! As novas aventuras e brincadeiras na escola estão a ser cada vez mais um incentivo.

Este Sol de Novembro também está a ajudar sem dúvida, permitindo as brincadeiras no amplo jardim e parque de diversões do colégio!

As actividades também são giras e cada vez mais ele vai querendo participar!

Parabéns Samuel és um menino grande e a ida para a escolinha agora vai-te permitir crescer melhor e aprender a viver numa realidade que vai ser a tua durante pelo menos os próximos 16 aninhos - a escola!

November 06

Hoje foi o segundo dia na escolinha do Sam!

... e no segundo dia foi mais complicado ficar na "minha escola" como o Samuel já lhe chama, do no primeiro dia (ontem). Hoje chorou e chorou, e nem com chucha se calava... mas lá ficou e o choro há-de passar.... Afinal aquilo sempre tem coisas giras e um parque enorme com escorregas e casinhas e brinquedos muito fixes!

Parece-me que o Samuel anda com sentimentos mistos, por um lado até gosta da escolinha, todas as novidades giras, até o almoço ontem correu bem: "o que comeste ao almoço?" perguntei-lhe ontem à noite "esparguete, num prato cor-de-laranja, o prato azul é do João"!

Hoje de manhã "quero ir lavar os dentes!" depois na casa de banho, "com a escova do elefante", "mas a escova do elefante não é de cá de casa", respondi-lhe, "não, é da minha escola!" respondeu com convicção!

Por outro lado custa-lhe saber que o pai e a mãe não vão lá estar, nem a irmã, nem a avó a quem está acostumado, mas é como dizem: "quem não sente não é filho de boa gente!" E o Samuel sente, é claro que sente, que algo está a mudar na sua vida. É natural que esteja amedrontado, mas irá ultrapassar esse medo, que afinal todos nós (até mesmo adultos) sentímos quando algo muda na nossa vida, mesmo até sabendo que mudamos para melhor!

E vamos adiante, um dia de cada vez. Pensativo

Lidar com a violência

A forma como lidamos com a violência, em especial a que nos é dirigida é, quanto a mim, o melhor indicador do quanto crescemos como pessoas. Resolver rapida, eficaz e de uma forma justa uma situação de violência é uma habilidade essencial numa sociedade onde por vezes ela é tão constante.

Quanto a mim saber lidar com a violência pode dividir-se em saber aplicar dois conceitos essenciais:

1. Reagir apenas quando necessário;
2. Reponder apenas em defesa própria e com uma força adequada à força utilizada por quem nos ataca.

1. Reagir apenas quando necessário.

Aqui podemos enunciar dois sub-princípios:

1.1 Nunca entrar num confronto do qual nunca poderemos sair a ganhar.
Não vale a pena esforçarmo-nos para ficar na mesma ou pior. Uma batalha evitada é uma batalha ganha!

1.2 A reacção quando necessária deverá ser o menos esgotante possível do nossos recursos. Um antigo sábio chinês Sun Tzu, que escreveu "A Arte da Guerra" disse que "lutar e vencer todas as batalhas não constitui excelência suprema, a excelência suprema consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar."

2. Defesa legítima com força legítima

Em caso de agressão é importante sabermos defender-nos, mas o mais complicado é determinar com que força é legítimo responder a um ataque e evitar que o calor do momento nos leve a utilizar mais força do que a necessária para fazer cessar a violência de que fomos alvo.

Por exemplo, se nos derem um estálo na cára não é lícito responder com uma facada, se nos ofenderem não é aceitável que dêmos um tiro a quem nos ofendeu, estes exemplos são fáceis de entender mas na vida real a linha é bem mais ténue e complicada de achar.

O ideal é que a noção que "os erros dos outros nunca justificam os nossos" nos seja tão clara como o ser necessário e legítimo agirmos em nossa defesa.

Isto é "eu não estou a bater porque me bateram, eu estou a defender-me para que não me voltem a bater", é apenas neste contexto que uma resposta violenta é válida, como defesa e em último recurso.

Para além disso é também importante saber prevenir a violência e evitá-la. Resistir não violentamente pode ser muito eficaz, como nos provou Gandhi. Responder não violentamente à violência é como deitar um balde de água na fogueira, responder-lhe com mais violência é apenas deitar mais achas na dita.

Nisto tudo há que exercitar a cabeça num constante pesar de prós e contras, num manter da racionalidade por vezes tão difícil nos tempos que correm e saber escolher o melhor caminho para a resolução dos conflitos que não se podem evitar.

Saber lidar correctamente com a violência, saber valorar justa e eticamente as posições que tomamos e as dos outros é um processo de aprendizagem que começamos desde que nascemos.

Não subscrevo a teoria do "bom selvagem", pessoalmente acho que há desde o primeiro momento algo em nós que nos incita a sobreviver a todo o custo. É um instinto animal, amoral, que coloca acima de tudo a nossa própria existência e bem estar.

À medida que vamos crescendo interiormente, vamos aprendendo a aceitar esse instinto e a saber controlá-lo porque se torna cada vez mais claro que o nosso bem estar, a nossa sobrevivência e no fundo a nossa felicidade apenas são alcançáveis em sociedade e aqui importa, e muito, que haja justiça e que todos possam de forma igual garantir a sua própria felicidade. Isto porque em sociedade o meu bem-estar não está acima do de mais ninguém, nem abaixo!

Ao compreender isto, parece-me fácil perceber porque têm as crianças por vezes reacções ou acções tão violentas. O que tradicionalmente nos choca por termos sucumbido ao estigma da criança "inocente e boazinha".

Há que entender que a criança apenas está a expressar as suas necessidades de garantir aquilo que ela vê como necessário para a sua felicidade e e bem estar. E que nem sempre tem, porque tem de aprendê-los, mecanismos não violentos de fazer valer a sua pretensão.

A frase "Quero este brinquedo porque gosto dele e ele é importante para mim, por isso se mo tentares tirar bato-te!" é perfeitamente lícita aos olhos de uma criança, mas é preciso ensiná-la que a sua relação com os outros é mais importante que a sua relação com o brinquedo e como tal deve controlar o instinto de não partilhar o brinquedo e aprender a substituí-lo pelo prazer de ter companhia nas suas brincadeiras.

escrito às 18:59

A importância de questionar!

"Tende confiança não no mestre, mas no ensinamento.

Tende confiança não no ensinamento, mas no espírito das palavras.

Tende confiança não na teoria, mas na experiência.

Não acrediteis em algo simplesmente porque vós ouvistes.

Não acrediteis nas tradições simplesmente porque elas têm sido mantidas de geração para geração.

Não acrediteis em algo simplesmente porque foi falado e comentado por muitos.

Não acrediteis em algo simplesmente porque está escrito em livros sagrados; não acrediteis no que imaginais, pensando que um Deus vos inspirou.

Não acrediteis em algo meramente baseado na autoridade de seus mestres e anciãos.

Mas após contemplação e reflexão, quando vos aperceberdes que algo é conforme ao que é razoável e leva ao que é bom e benéfico tanto para vós quanto para os outros, então aceitai-o e fazei disto a base de vossa vida.
"

Gautama Buddha - Kalama Sutra

Este é um dos textos mais impressionantes do Budismo, digo que é impressionante pois não é muito comum que um mestre, profeta ou sábio venha dizer abertamente: "não acreditem nisto simplesmente porque sou eu quem o diz, ou até mesmo porque há muitos que também concordam comigo!"

No fundo o que está por detrás disto é a demanda da verdade. E se a verdade é apenas percepção (a nossa) então faz mais sentido que nos ocupemos a questionarmo-nos sobre o que é a nossa percepção. Para através da reflexão acharmos algo que nos faça sentido interiomente apesar de ser ou não a doutrina de muitos ou de alguns de monta.

Daí que tenham ao longo dos tempos sido tão perniciosos os auto-proclamados arautos da verdade, da religão, da política e da justiça. Que nos indicam algo como sendo intrinsecamente bom sem que nos darem sequer a possibilidade, liberdade e por vezes até o conhecimento necessário para questionarmos os seus postulados. Exemplos disso há muitos, uns mais subtis que outros.

É tão difícil hoje em dia escapar às influências externas, aos pré-conceitos que desde tenra infância nos são incutidos, mas o ser difícil não o torna menos essencial para que consigamos perceber o que realmente importante para nós. Com que objectivo respiramos, caminhamos e trabalhamos neste mundo. E para isso é preciso que percamos toda a bagagem que vimos trazendo atrás deste crianças, e isso é na prática impossível. Assim sendo, não podendo escapar-lhes, o melhor que temos a fazer é questionar incessantemente essas influências, questionar incessantemente os nossos motivos, pois eles são tantas vezes resultantes delas.

"A vida sem reflexão não merece ser vivida." dizia Sócrates, não merece, nem é verdadeiramente vivida, digo eu! Porque afinal se não pensarmos por nós próprios estaremos apenas a viver por procuração, a viver a nossa vida pelas reflexões que outros tiveram, ou afirmaram ter tido por nós.

Por tudo isto adoro insistência com que o meu filho me questiona todas as afirmações e ordens, como todas as crianças em geral o fazem tão bem nesta idade. Tenho sempre a sensação de que está entre o hedonismo e a irreverência e a interiorização daquilo que do que eu lhe digo que lhe interessa verdadeiramente acatar por saber que é bom para ele, por conseguir finalmente fazer algum sentido para ele o que lhe tenho ensinado.

É complicado, eu sei, gerir toda esta aparente vontade de contrariar tudo e todos, e que são mais as vezes em que ele não encontra o sentido e simplemente toma uma atitude porque lhe apetece, sem pensar nisso. Mas o que eu acho verdadeiramente gratificante são as vezes em que ele o faz por ter chegado a uma conclusão, gratificantes por serem tão raras!

Mas acho que é importante as crianças sentirem que nos podem questionar e contrariar. É agora que começam a afirmar-se como individuos e se lhes negamos todas as oportunidades de o fazer ou se revoltam ou, por medo ou perguiça, aceitam sem questionar tudo o que lhes dizemos. Nenhum destes casos é o ideal.

O que gosto de ver acontecer no meu filho é a sua verdade a vir ao de cima, ainda que por breves momentos. A expressão nos seus olhos quando se apercebe por exemplo que consegue magoar a irmã e chatear-me a mim de uma assentada só, mas chega também à conclusão que faz muito mais sentido não o fazer e volta atrás, mesmo que não peça desculpa. Adoro as poucas vezes que o vejo parar antes de começar a portar-se mal, ou pouco depois de o ter feito. Há tantas perguntas naquela cabecita loura, tantas a que eu não posso sequer responder, porque a resposta tem de vir de lá, o díficil é lembrar-me que para que ele a encontre terá por vezes de fazer algo que não devia e sofrer as consequências que daí vierem.
August 14

Relato sumarizado das nossas primeiras férias a 4!



Fomos a Miranda do Corvo, onde ficámos na Estalagem Quinta do Viso, que recomendo vivamente. A Vila é lindíssima, e fica bem perto de Conímbriga, Condeixa e Coimbra onde pudemos visitar o "Putugal dos Macaninos" Samuel dixit!

Depois dos passeios, das chanfanas (estufado de carne de cabra, nham nham!) e de banhocas na piscina onde o Samuel finalmente se habituou a estar sem receios e onde já começa a dar aos pézitos bem agarrado ainda, é claro, a mim ou ao pai.

Segue-se um pequeno àparte demonstrativo da esperteza do petiz:

Desde há algum tempo que a avó (que fica com ele durante o dia) lhe anda a dizer, não sem alguma verdade, que tem de deixar a chucha porque esta, passo a citar "faz borbulhas".

Durante o nosso pequeno almoço no segundo dia na estalagem o Samuel retirava cuidadosamente o "filambe" do pão onde o pai o tinha colocado em conjunto com uma fatia de queijo e comia o dito fiambre, deixando o pão e o queijo no prato. Intrepelado sobre este facto o xisbunhirgo responde de peito cheio que não pretende comer o pão porque e passo a citar (agora o petiz, não a avó) "o pão faz borbulhas!".

Pasmei e entre risos ainda tentei contra-argumentar que o pão não lhe iria provocar qualquer tipo de reacção cutânea, muito menos as temidas borbulhas, mas disso é claro estáva o malandro bem ciente, o que o não impediu de tentar convencer-me do contrário repetindo insistentemente que o "pão faz borbulhas!".

No caminho de volta ainda deu para passarmos por São Pedro de Moel para ver o mar e a praia.

Chegádos a casa, aprontámos novamente as toalhas e apetrechos de praia e raptámos a avó Lina para uma rapidinha até à Lagoa de Santo André.

No dia seguinte, e porque a praia se impunha novamente fomos para a linda serra da Arrábida. Para a praia de Galapos que embora seja muito porreira e me traga excelentes recordações de quando era míuda, é um sítio complicado para se ir com bebés de cólo.

Infelizmente caí e fiz do-dói ao tentar encontrar um caminho (estupida e desnecessariamente, porque existem umas escadas bem mais faceis de transitar) pelo matagal da falésia para a praia. Ainda fomos à praia, descendo as bemditas escadas, mesmo com os meus joelhos esfolados, que eu não sou moça de desistir ao primeiro ou segundo contra-tempo, mas isto ficou feio e lamento informar que, pelo menos no meu futuro mais imediato não constam agendamentos de novas idas até à praia.














Vejam no flickr as restantes fotos das fabulosas férias de 2007, as nossas primeiras férias a 4!
 

Raquel Henriques

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